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sexta-feira, 13 de junho de 2008

Desencontro em duas versões

"Eu estava logo ali..."


Desencontro

Quanto mais chego perto de mim
Mais chego na borda do ser
Quanto mais laço dentro de si
Mais longe fico do começo

Era o começo o perto de mim
Ou seria o começo a distância de si?
Nesta dúvida de estar e não ser
Nesta vida de ver e não é
Sei que quanto mais perto de mim fico
Mais longe de mim sei.

Poderia ser escrito como:
Desencontro

Perguntaram-me onde é que me encontrava.
Pro primeiro disse leste.
Norte seguiu a resposta.
Vi que nunca acertava.
Neste paradoxo de vida descobri que embora a ida fosse diferente, a volta seria a mesma.
Estava por toda a parte. Poderia ser condenado por imitar Deus.
Embora isso me encomodasse, me confortava do mesmo jeito.
Era simples: encontrei-me! Por toda parte que estivera, estava eu por toda a parte!



Versão bônus:
Desencontro

Duas senhoras jogavam escopa de quinze durante um chá.
Era óbvio que a discussão tomara outro rumo:
- Nunca poderemos viver do nosso jeito Berta, nunca!
- Você diz isso por causa do jogo?
- Digo sobre andadores e programas de TV.
- Rrrealmente. Naquele tempo, feliz era quem conseguia comprar sua lavadeira.
- Estamos falando do mesmo assunto?
- Venci!
- Droga. Me passe o chá.

É evidente a confusão das senhoras que, embora nunca tivessem se gostado, terminam a vida assintindo pela TV jogos de azar.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Conjunto básico de poesias incompletas

Há um bom tempo escrevi qualquer coisa sobre qualquer coisa. Era tão sem sentido que não consegui ao menos terminar as poesias.
Escrever sobre confusão é sempre instigante e extremamente fácil. Uma mente sem confusão não pode ser considerada uma mente sã.

Íris

No começo era colorido
Agora o começo não é começo
E o colorido só tem uma cor
No começo era colorido
Até que não era tão bom
Qual a graça das cores?
Prefiro meu arco-í­ris monocromático

O começo não era colorido
Não havia começo
Pois nunca houve cores
Não havia arco-í­ris

Em um novo começo
(...)


Tons de cinza

Lá vem a polí­tica toda de branco manchando nossa vida cinzenta
Ora, é para o nosso bem diz ela
Ora, é para o nosso mal diz ela
Lá vem a polí­tica toda de cinza manchando nossa vida cinzenta

Olhem o Senhor do terno verde
Ladra com olhos cinzentos numa rajada de ódio azul
Vermelho
Azul, teima o homem honesto
(...)

Esclarecedor? Acho que bem pouco.